10 março 2007

Alteração de programa do festival de musica.

A Comissão de Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres de Santa Cruz da Graciosa, informa o seguinte:
Como é já do conhecimento geral, foi apresentado o cartaz do festival de música integrado nas festas do concelho para 2007.
Esse evento tinha em cartaz os artistas “Expensive Soul”, “André Sardet” e “Xutos e Pontapés”.
Entretanto, o artista “André Sardet” cancelou a sua actuação por motivos a que nós somos completamente alheios.
Esta Comissão fez já chegar ao referido artista o nosso descontentamento pela atitude tomada, sendo certo que tudo fizemos para evitar o referido cancelamento.
Assim, e no sentido de manter a qualidade que nos propusemos, foi já contratado outro artista para actuar no referido festival.
O artista contratado é a “Filarmónica Gil”

FILARMÓNICA GIL:
Foi ao fazer 25 anos de carreira, a propósito de um convite do CCB para dois dias de concerto em jeito de balanço, que um projecto novo se começou a desenhar na cabeça de João Gil – um “projecto de vida”, segundo o próprio. Às composições do músico juntam-se mais três elementos que formam este colectivo, preenchendo-o e dando-lhe alma: João Monge, Rui Costa e Nuno Norte.
Assim surge um novo grupo – Filarmónica Gil – num trabalho colectivo, de partilha, onde, num tecido comum, cada elemento encontra a sua afirmação individual:
João Gil – compositor com palmarés invejável (desde os Trovante, à Ala dos Namorados, passando por vários sucessos como Rio Grande e Cabeças no Ar), com toda a certeza um dos maiores do nosso tempo, volta a presentear-nos com composições estruturantes de grandes músicas
Rui Costa – ex-Silence 4, músico de enorme talento, co-responsável por alguns dos maiores sucessos da banda entretanto extinta, agora a trabalhar nos arranjos e na produção de canções cantadas em português
Nuno Norte – revelação ao vencer a primeira edição dos Ídolos, possuidor de uma voz ao mesmo tempo nova e vivida, capaz de construir as personagens multifacetadas desenhadas pelas composições do João Gil e pelas letras do João Monge, encontra aqui, finalmente, grandes canções através das quais pode revelar todo o seu talento

Deste modo, o cartaz do festival de música integrado nas festas do concelho será o seguinte:

Dia 11 de Agosto de 2007 – sexta-feira – EXPENSIVE SOUL & JAGUAR BAND
Dia 12 de Agosto de 2007 – Domingo – XUTOS E PONTAPÉS
Dia 13 de Agosto de 2007 – segunda-feira – FILARMÓNICA GIL.

Pela Comissão de Festas



José Gregório Oliveira Sousa

09 março 2007

- Romeiros em peregrinação pela Graciosa. ( Fotos gentilmente cedidas por Bruno Silveira ).

VII ROMARIA QUARESMAL NA ILHA GRACIOSA

Pelo sétimo ano consecutivo, e este ano sem o Mestre António Tabico, por motivos de saúde, um dos impulsionadores das Romarias quaresmais na Graciosa, efectuou-se a VII Romaria à volta desta Ilha Branca.
Foram 31 os irmãos que percorreram em 2 dias as estradas da nossa ilha, passando por todas as Igrejas e Ermidas da nossa ilha.
Desde o ano 2000 e através de um desafio feito pelo irmão José Bettencourt, residente no Canadá, ao Mestre António Tabico, que se efectuasse uma Romaria na Graciosa, pois foi precisamente a partir desse ano e até agora, que nunca mais paramos, pois ano após ano, temos vindo a aumentar tanto a tradição como o número de irmãos a participarem.
Neste ano os Romeiros saíram do Monte de Nossa Senhora da Saúde, por volta das 05H00 da madrugada do dia 06 de Março, percorrendo nessa manhã, a Igreja de Santa Quitéria/Senhora do Livramento, São Mateus, Santo António, Capela da Misericórdia, nesta freguesia foi-nos servido um pequeno-almoço, pelo Senhor José João Bettencourt, continuando a nossa caminhada passamos pela Ermida da Senhora da Guia, Santa Ana, Senhora da Ajuda, Igreja Matriz e Santo Cristo, estas 3 últimas já na Vila de Santa Cruz, foi também nesta Vila que a Santa Casa da Misericórdia de Santa Cruz, serviu-nos um requintado almoço.
Após este pequeno descanso, continuamos a nossa caminhada de fé e oração, passando pela ermida de Santo António, Senhora da Boa Nova, Capela do Lar de Santo Cristo, Senhora das Dores, Bom Jesus, Senhora da Vitória, Santo António e Nossa Senhora da Esperança na Ribeirinha, onde assistimos à Missa por volta das 18H30, lugar este onde fizemos a nossa pernoita, mais precisamente no Salão da Irmandade de Nossa Senhora da Esperança, onde também nos foi oferecido um delicioso jantar pela Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa, que contou com a presença do Exmº Senhor Presidente da Câmara, José Ramos de Aguiar.
No segundo dia, por volta das 06H00 da madrugada lá partimos a rezar e a cantar para a última etapa da nossa Romaria, onde passamos pela Ermida de S. Miguel Arcanjo, Igreja de Nossa Senhora do Guadalupe, de salientar que nesta freguesia às 07H00 da manhã ouvia-se o repicar do sino, pelo Presidente da Junta de Freguesia, senhor Tomás Picanço, foi também à saída desta igreja que o sempre prestável irmão, Roque Ortins e sua esposa, nos serviram um requintado pequeno-almoço, findo o qual partimos rumo à zona Sul da ilha, onde visitamos a ermida de Santo António da Folga, Igreja de Nossa Senhora da Luz, Ermida de Nossa Senhora de Lourdes no Carapacho, onde terminamos a nossa VII Romaria com eucaristia pelas 12H30, celebrada pelo Rev. Padre Francisco Xavier, de seguida foi-nos oferecido na Vigia o almoço de encerramento, pela Santa Casa da Misericórdia da Vila da Praia.
Saliento que pela primeira vez, e orientados pelo nosso mestre João Silva, tivemos 2 irmãos Graciosenses a fazerem orações em algumas igrejas e ermidas, que foram os irmãos Tony Reis e Carlos Picanço.
Este tipo de caminhada tem tido sempre o apoio das diversas Entidades Oficiais e particulares da Graciosa, onde se salienta o apoio da Câmara Municipal, 4 Juntas de Freguesia da Ilha, as 2 Santas Casas da Misericórdia de Santa Cruz e Praia, bem como a “Panificação Graciosense”, na pessoa do seu Gerente José João Bettencourt e Café Snack-Bar Restaurante “Dolphin” do Senhor Roque Ortins, do Senhor José Norberto Ataíde Bettencourt, que durante a Romaria tirou algumas imagens, bem como nos deu apoio na sua viatura, principalmente no transporte de água e no auxílio a algum irmão com mais dificuldade.
Por último não podemos esquecer a boa vontade dos nossos irmãos Luso-Canadianos, Mestre João Silva, José Silva e Manuel Amaral, porque sem eles seria impossível a realização desta Romaria, o nosso muito obrigado pelo seu sacrifício e que Deus lhes dê tudo, principalmente a recompensa por tamanho empenho, visto terem efectuado já uma Romaria de 8 dias na ilha de S. Miguel, mais uma vez o nosso obrigado e para o próximo ano cá esperaremos por eles, se Deus quiser.

TEXTO DE: Tony Silveira FOTOS DE: Bruno Silveira

20 fevereiro 2007

A Walkiria e outras lanchas baleeiras dos Açores






Dos muitos anos que levo tirando o melhor proveito das coisas do mar, só uso motor quando não há outra opção pois habitualmente navego em barcos à vela. No entanto, podem crer que, muitas milhas já corri por esse Atlântico com a ajuda do “vento de porão”.
Na viagem que fiz num veleiro aos Açores em 2005, tive oportunidade de ver e de navegar também, num dos botes baleeiros que em tempos idos dos séculos XIX e XX, tripulados por homens destemidos, eram usados para a caça à baleia.


A que propósito vem isto? É que as baleias, depois de avistadas por observadores colocados em terra em lugares estratégicos (vigias), eram perseguidas e arpoadas, mas para haver êxito teriam os botes de fazer a procura e a aproximação tão rápida e silenciosa quanto possível.
Entrava aqui um meio de auxílio que era a lancha a motor. Rebocava dois ou mais botes até próximo do animal a capturar, deixando-os então fazer a aproximação final, quer à vela quer a remos. A lancha mantinha-se na zona, acorrendo de pronto logo que houvesse necessidade, mas tinha também por finalidade, rebocar os animais capturados de volta à origem, ou ao local onde o armador indicasse.
Nos tempos em que as ligações entre ilhas eram raras e demoradas, foram as lanchas que salvaram muita gente doente que carecia de tratamento nos hospitais da Terceira e do Faial.
Coincidiu a minha estadia na Horta, com as festas da cidade e a Semana do Mar.
Um belo dia despertou-me a curiosidade uma cerimónia que se estava a realizar e verifiquei que se tratava do novo baptismo da lancha “Walkíria”.


Depois do fim da caça à baleia nos anos oitenta, as lanchas e botes foram aos poucos abandonados. Recentemente surgiram boas vontades e recursos, quer particulares quer oficiais, que possibilitaram recuperar esse património e assim foi com muita satisfação que vi alguns milhares de pessoas, tanto locais como visitantes, assistirem a uma cerimónia que tanto significado tem para os açoreanos.
Durante o Verão e para além das festas no Faial, também se realizam manifestações identicas em todas as ilhas do grupo central e é muito gratificante ver reunir-se actualmente uma frota de mais de vinte botes baleeiros nas regatas de remo e vela que se disputam. Igualmente se observam seis a oito lanchas, bem recuperadas e vistosamente engalanadas, nessas ocasiões.
Interessante é que a deslocação dos botes continua a ser feita do modo tradicional e tive a oportunidade de observar como, vinda da Graciosa ( cerca de 50 milhas de distância ), chegou à Horta a grande velocidade a “Estefânia Correia” com dois desses botes a reboque.
Do Pico, para participar e dar côr à cerimónia em que a “Walkíria” iria ser rebaptisada, vieram a “Cigana”, a “Garota”(SR-37- B) , a “Rosa Maria”(LP-70-B) e a ”José Alexandre”(SG-160-B).
S.Jorge e Terceira igualmente marcaram presença, esta última com a “Bicuda”(AH 495 TL). Ficou-me a dúvida, mas creio que das Flores também se deslocou uma lancha.

A chamada “Rainha dos Mares dos Açores” tem uma história rica que merece ser divulgada.

Foi mandada construir pelos proprietários da Armação Baleeira Reis & Mendonça, na
localidade das Velas de S. Jorge em 1937 e registada com a matrícula V- 201 TL, nessa delegação marítima no ano seguinte. Tinha 12,17 m de comp., 2,59 m de boca, 1,32 m de pontal e 10,25 ton. de tonelagem bruta.
Um dos proprietários, o Prof. Rui de Mendonça, amante de música clássica e de Wagner em particular, deu-lhe o nome.
Foram seus construtores dois irmãos, José e Manuel Gambão naturais igualmente das Velas, segundo desenhos de Manuel Inácio Nunes, natural do Pico e com gabinete de projetos e estaleiro em Sacramento ( Califórnia- USA).
Destinava-se a “Walkíria” ao tráfego local e como auxiliar da caça à baleia. Entretanto os proprietários desgostaram-se dela pouco depois de entrar ao serviço devido ao excesso de consumo do seu motor. Tratava-se de um “Scripps” de 143 HP a gasolina (60 litros/hora), que apesar de a fazer atingir, nessa época, a boa velocidade de 15 nós, a tornava economicamente pouco interessante.
No mesmo ano de 1938 foi vendida por sessenta e dois contos de réis a Francisco dos Reis e transferida para a Horta, ficando a fazer o mesmo trabalho e podendo transportar até vinte e um passageiros, com bom tempo.
Em 1946 foi adquirida pelo mesmo valor, pela firma “Reis & Martins” e passou a ter a matrícula H-10-TL , destinando-se a tráfego local no porto da Horta e mais tarde em 1949, à “pesca da baleia”, segundo registos da capitania.
Em 1952 foi requerida a substituição do motor por um novo de 250 HP e 2500 rpm , da marca “Erling”.
Em 1955 foi-lhe instalado um aparelho de radiotelefonia com indicativo CS 4 E e deram-lhe nova matrícula, H-21-B , que se tem mantido até hoje.
Muitos anos passou a Walkiria, com tripulações diversas e dedicadas (normalmente levava um mestre, um motorista e um marinheiro) até que, depois de alguns de repouso ou de esquecimento, foi entregue ás mãos do senhor Monteiro, mestre nas artes de carpintaria naval e num estaleiro da Piedade do Pico rejuvenesceu, para voltar a ser o que era sessenta e oito anos antes.
Foi equipada com um novo e potente motor diesel e meios de navegação modernos, não perdendo contudo a beleza e desempenho originais, uma vez que a vi fazer com mar chão, bem mais de vinte cinco nós.


Várias pessoas e entidades contribuiram, como atrás referi, para a recuperação deste património náutico açoreano, mas neste caso particular deve-se salientar o trabalho desenvolvido pelo Eng. Nuno Lima, director do C.N. da Horta, que com empenho soube concretizar o projeto “Walkiria”.






Dezembro de 2006

João Guimarães Marques