

Recentemente o Director da RTP Açores foi ao Parlamento Regional para falar da sua missão e da sua televisão.
De acordo com o relatório apresentado pela comissão parlamentar que o ouviu, o Director da TV do Estado "reafirmou a sua aposta na generalização da cobertura de todas as parcelas do arquipélago, através dos "repórteres de ilha" (
)"
Certamente que muito haverá a dizer e a "mexer" na RTP Açores, na sua programação e na sua "orientação" jornalística, que se quer de isenção, pautada pela distribuição equitativa dos "tempos de antena" entre governo e oposições.
Mas esta questão da cobertura regional, conceito pilar da génese da RTP dos Açores, deve ter um tratamento célere, ambicioso e pragmático, sob pena de vermos a "nossa" televisão acabar.
Nos últimos tempos tem sido bastante controversa na Graciosa a cobertura jornalístico-televisiva que a RTP Açores faz deste pedaço da Região.
Muitas são as queixas, algumas das quais bastante assertivas.
Na verdade, muitos são os Graciosenses, aos quais me associo, que se revoltam com a presença intermitente da ilha Graciosa no pequeno ecrã.
É que este pequeno ecrã é grande na sede noticiosa dos nossos emigrados, nos nossos familiares que de longe gostam de saber o que por cá se passa e, não descurando, no potencial promocional desta ilha atlântica, rural e preservada, tão justamente votada, RESERVA DA BIOSFERA.
Estranham todos, por todo o mundo, que não apareça mais Graciosa na nossa televisão. Por cá nada se passa? Perguntam com argúcia.
Fixo-me portanto nesta aposta do Sr. Director da RTP Açores. Esta vontade demonstrada de versar pela diversidade do todo regional, onde a Graciosa, certamente como as restantes, tem muito para dar e para mostrar, mas que não vê o seu potencial noticioso, de divulgação ou de promoção correctamente explorado.
Por vezes pergunto-me, vendo pelo caso Graciosense, e olhando à minha volta por esse arquipélago fora, se uma RTP Açores terá tamanho para tantos Açores, para tanta erupção de cultura, de tradições, de saberes e de notícias
É pois nessa imensidão de motivos que, volta e meia, esbarro nessa RTPA que vamos tendo, nessa falta que nos faz ver mais do que somos, conhecer melhor quem nos rodeia, e dar a conhecer como nos materializamos.
Por isso vejo esta necessidade como um desígnio da nossa televisão.
As casas começam a fazer-se pela base e culminam no telhado. A base destes Açores são as suas nove ilhas, nenhuma está dispensada.
Acredito que a despesa seja grande e que o provento seja menor, mas essa nunca pode ser a dialéctica da nossa televisão, como não o pode ser para os transportes ou para o acesso à justiça de que agora também se fala.
Na nossa televisão são fundamentais os repórteres de ilha, e são fundamentais a tempo inteiro.
A Graciosa tem um repórter cujo trabalho é reconhecido mas que está subaproveitado.
Não será viável ter uma televisão regional com repórteres em par-time, sem vínculo à casa, e sem perspectivas de futuro. Isto não vai lá com menos que isso e é imperioso que a Graciosa, como as restantes, conte com um repórter a tempo inteiro, pago condignamente e não "à peça", para que possamos ver espelhada na televisão dos Açores, os Açores de corpo inteiro.
João Costa
O Estatuto político-administrativo dos Açores diz-nos no seu artigo 66º o seguinte:
Visitas obrigatórias do Governo Regional
1. - 0 Governo Regional visitará cada uma das ilhas da Região pelo menos uma vez por ano.
2. - Por ocasião de uma das visitas referidas no número anterior, o Conselho do Governo reunirá na ilha visitada.
Ora bem, o n.º 1 deste artigo fala num limite mínimo para as deslocações obrigatórias do Governo a cada uma das ilhas dos Açores, já o n.º 2 deste artigo obriga a que se realize na ilha visitada um Conselho de Governo.
A experiência de autonomia regional ensinou que na aplicação do conceito de visita estatutária a que se refere o citado artigo 66º se regule sempre pelo mínimo. Não há memória, pelo menos minha, de que o Governo tenha visitado num ano, por mais de uma vez a ilha Graciosa. Assim, apesar de, esporadicamente, termos conhecimento de que este ou aquele governante vem à ilha Graciosa, o Governo, enquanto tal, apenas nos visita uma vez por ano. No fundo, o Governo apenas faz cumprir a sua obrigação legal, daí que o conceito exposto neste artigo 66º seja um conceito intitulado de visita estatutária.
Mas vamos lá ver esta situação em termos mais vastos. O Governo visita a Graciosa porque a isso é obrigado por lei, porque, se nunca se viu necessidade de visitar a Graciosa mais do que as vezes a que o estatuto obriga, e que é uma, imagino que se o estatuto nada dissesse quanto a visitas às ilhas, o Governo levaria anos para cá pôr os pés.
Quando se analisa a questão de existir uma obrigatoriedade de visitar uma ilha por parte do Governo, surge a ideia de uma visita forçada, imposta, obrigatória e, não raras vezes, cosmética.
Na realidade estas visitas estatutárias funcionam quase como se de uma medida de coacção se tratasse. Tipo, medida de apresentação periódica ou coisa parecida.
A meu ver, este normativo estatutário enferma daquilo que se pode designar como "complexo de autonomia degenerativa", e que quer somente dizer que persistem ideias referentes à governação dos Açores que se alicerçam em temores autonomistas desenfreados e disfunções no conceito de governação de um arquipélago, composto, por nove ilhas.
Na realidade, e na prática, aquilo a que nós assistimos anualmente é à vinda do Governo Regional à ilha Graciosa, num fim-de-semana, ou em um ou dois dias, com passeios pelas obras em curso e reunião das que permanecem em concurso, e uma reunião do conselho do Governo, onde se decidem umas medidas de oportunidade ou de necessidade premente.
Ora, esta situação tem levado a que nunca se possa falar na efectivação de um desenvolvimento harmonioso da Região com seriedade e verdadeira vontade de o almejar.
Nós não precisamos de decisões do Governo só quando este por cá passa, e nós não podemos trabalhar um ano inteiro à espera de uma visita que venha esconder alguns problemas que persistem, e subsistem, antes e depois daquela ter lugar.
Por outro lado, não posso deixar de criticar que, aquando da presença do Governo na ilha Graciosa, alguns se preocupem em estender um tapete vermelho e com isso escondam os buracos na passagem dos governantes. Isso não é leal para com os Graciosenses, pois o Governo vai-se embora, arruma-se o tapete e os buracos ficam para nós.
Além disso, temos assistido, nos últimos anos a visitas, do Governo que mais não são do que propaganda e partidarização da actividade Governativa. Isso não é salutar por parte de quem nos visita. Não é salutar, nem vem ao encontro dos ensejos e direitos dos Graciosenses.
Mas então qual é a alternativa? Qual a solução?, se o Governo só visita a Graciosa porque a isso é obrigado, se acabarmos com a obrigação, eles não põem cá mais os pés.
O que me parece essencial é que as visitas sejam em moldes de genuína preocupação em desenvolver a ilha Graciosa, em resolver os assuntos que permanecem sem solução, em criar nos Açores um verdadeiro desenvolvimento harmonioso.
Pode-se até perguntar: Mas como é que o Governo pode saber o que nos faz falta, o que nos perturba se não nos visita?
E acham que por o Governo vir "obrigado" à ilha Graciosa, os seus ouvidos vêm mais abertos ou a sua preocupação é maior? Parece-me que não.
A solução para uma governação que vá ao encontro ao propalado desenvolvimento harmonioso passa pela descentralização e pela representatividade.
Descentralização é sinónimo de transferência de competências. Quanto à representatividade esta deve ser vista quer em termos de representação fora da Graciosa pelos seus eleitos, quer pela representação do Governo na nossa ilha.
E sobre a representação do Governo na ilha Graciosa temos muito que pensar. É que já não acredito que alguém possa seriamente defender o modelo actual. Essa será matéria para outros pensamentos.
João Costa
E quando nós vemos um deputado da Graciosa subir à tribuna, pensamos que a nossa ilha vai ser falada e discutida.
Eis senão quando, o assunto, ao invés de ser a Graciosa, é, outra vez, estatística do desporto.
Depois do silêncio dos deputados Graciosenses do PS na discussão do Plano e Orçamento de 2008, que nada disseram no parlamento (ou em lado algum) em defesa da Graciosa, numa das mais que prováveis últimas oportunidades de intervir do deputado José Ávila (a média de intervenções por ano assim o diz), este, ao invés de falar da sua ilha e de defender as ambições dos da sua terra, fala de bolas e correrias.
Para ser político não basta debitar números, é preciso iniciativa.
A frase da queixinha também é curiosa.
Diz, a páginas tantas:
"Trazemos estes dados até à Assembleia Legislativa porque não os vimos devidamente tratados na comunicação social, o que não deixa de ser uma pena."
Pois é, eu também tenho pena do que vou vendo acontecer à Graciosa. Deixo um pedido, preocupe-se com a estatística das dormidas em estabelecimentos hoteleiros na Graciosa, dos passageiros desembarcados, da regularidade da carga contentorizada, da perda de poder de compra, do aumento do desemprego, do índice de envelhecimento, da desertificação da Graciosa etc, etc, etc.
João Costa
Se tivesse de escolher um título para resumir alguns dos momentos mais altos do Carnaval da Graciosa 2008 as possibilidades seriam, obviamente, mais que muitas
Por mero(s) exemplo(s), salvaguardando a hipótese de não serem os mais felizes:
- (E porque, tal como se costuma dizer, não há duas sem três): que tal Carnaval - No Comment!
Ou ainda: -"Senhor, perdoem-lhes, eles não sabem o que fazem!".
1º - Aos três escalões vencedores: Os meus parabéns!
2º - A todos os que não tiveram a sorte de ser os "felizes contemplados" com o já tão comentado certificado/Diploma (!?): peço desculpa à Associação Cultural Moinhos Selvagens, mas desvalorizem. FORAM TODOS VENCEDORES!
Preservar a tradição cultural? Promover o convívio entre as pessoas? Incentivar a criatividade, a imaginação? Óptimo! Mas será que isso não é o que todos os envolvidos têm vindo a fazer, ao longo de tantos anos?
E deixem-me dizer-vos; mais uma vez, esses objectivos foram plenamente atingidos, graças ao empenho de todos, novamente este ano! Esta Ilha, como todos saberão melhor do que eu, já possui um vasto e reconhecidíssimo currículo no que toca à preservação daquela que é a verdadeira tradição de Carnaval, onde todos se divertem, exibindo e partilhando o que de melhor conseguiram fazer, sem "galões", classificações ou outras complicações!
Resumindo: A intenção desta Associação, recém-criada, pode ser muito boa, estão em causa metas muito importantes, sem dúvida, mas falhou o alvo ao escolher este tipo de iniciativa para (des)promover(!), lamentavelmente, o já promovido!. Melhores oportunidades virão, espero.
Temo que este formato de "pseudo-concurso", venha a provocar efeitos secundários ou outros danos colaterais relativamente à (des)promoção da motivação para os anos vindouros. Por favor, não deixem que isso aconteça! Como diz a música " Bota um sorriso na cara e manda embora a solidão". Critérios à parte, P'ró ano há mais.
3º - Estou muito triste, enquanto mãe e espectadora passiva deste Carnaval -Graciosa 2008.
4º - PIOR: não sou só eu quem está triste, mas sim todos os Graciosenses, pois tanto na passada Sexta-feira como no Domingo, vivemos momentos, nesta terra, dignos, em qualidade, a algumas boas horas de directo no nosso canal regional (para não pedir mais), mas, aparentemente, nem direito a um efémero segundinho em diferido tivemos!
Fiquei, confesso, muito tristinha enquanto mamã, mais ou menos babada, que sou, pois terminado o desfile, construído com tanto carinho pelos alunos e professores do Pré-Escolar e Primeiro Ciclo, cheguei a casa, carreguei no botão do telecomando para ver as notícias e vi as criancinhas de todas as ilhas com direito a desfile de Carnaval, menos as da Graciosa. O pior é que "subjectividades à parte" o desfile da Graciosa tinha sido francamente superior aos outros das ilhas eleitas - vá-se lá saber por quem - para aparecer no pequeno ecrã. Portanto, se a questão não se pode explicar com a eventual falta de qualidade, uma vez que os factos comprovam precisamente o inverso - e não é imodéstia - o que justificará tamanha indiferença ???!!!
A todo o "pessoal" do "Balão", do Pré-Escolar e Primeiro Ciclo, obrigado e os meus sinceros PARABÉNS! ESTAVAM LINDOS ESTE ANO!
Rute Costa
Em Maio de 2007 o Governo Regional voltou a prometer aos pescadores Graciosenses a melhoria das suas condições de trabalho, nomeadamente através da colocação de pontões no porto de pescas da praia.
Dizia o Sub-Secretário das Pescas que até ao final do mês de Maio o concurso seria lançado, garantindo que até ao final do ano (2007), o Porto de Pesca da Graciosa receberia os seus pontões.
Pois é, estamos já em 2008 e continua a obra do porto de pescas da Graciosa por concluir.
Aliás, não deixa também de ser curiosa a placa do Prodesa colocada na entrada da Praia da Graciosa, onde se lê sobre o início da obra: 3 de Maio de 2004, e conclusão contratual para 3 de Julho de 2005 (fica a foto para melhor ilustrar).
Curioso, obras a decorrer em pleno ano eleitoral, receita de aparente sucesso político dos seus dinamizadores.
Mas mais curioso ainda, obras inacabadas durante uma legislatura, e que se prolongam para o decorrer de novo ano eleitoral, quatro anos mais tarde, numa tentativa de, mais uma vez, procurar os proveitos do folclore do betão.
Disse Abraham Lincoln: "Podeis enganar toda a gente durante um certo tempo; podeis mesmo enganar algumas pessoas todo o tempo; mas não vos será possível enganar toda a gente o tempo todo"
Esta máxima do célebre Presidente Americano, devia fazer parte do quotidiano dos políticos desta região. E estes já deviam saber que o povo é soberano, pelo que o devem respeitar e não tentar enganar.
É claro que com um orçamento elevado e publicidade bem feita podem sempre tentar enganar toda a gente o tempo todo, dizia Joseph Levine. Só que este era um produtor de filmes e não um génio político devoto da democracia, pelo que seria aconselhável ficarem-se pela noção de que não é mesmo possível enganar todos o tempo todo.
E o tempo todo é todo o tempo desta legislatura que vai de
O tempo é pois de vida nova, de novas ideias e de novas politicas, assumidas por outros protagonistas, distantes o suficiente de compromissos mais ou menos comprometedores de uma luta sincera e abnegada pelo sucesso deste povo, e dos seus filhos.
João Costa