16 dezembro 2007

Festa de natal no lar de idosos de Santa Cruz

Valdemiro Santos
Grupo de Violas da Luz
Orquestra da Filarmónica Recreio dos Artistas.
Um grupo de idosos que assistiram à festa.

29 novembro 2007

Monstros e lixo na poça das salemas.


Apesar da Câmara Municipal se oferecer para ir buscar este lixo, um cidadão depositou ontem um micro-ondas e sacos de lixo, nas imediações da poça das salemas.
Alguém sabe quem cometeu esta infracção?

21 novembro 2007

Plano e Orçamento para 2008

Por razões alheias à minha vontade, e por decisões que não me cabem a mim tomar, não posso estar presente no próximo plenário da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, que tem o seu início no próximo dia 27 do corrente mês. Na qual será discutido o Plano e Orçamento para 2008.
Assim sendo, deixo a minha opinião para que fique expresso que os números por vezes anunciados, comparados com as obras anunciadas, nem sempre são condizentes uns com os outros.
Começando por aquilo que tem sido bandeira de campanha do PS (a tão falada Coesão), em 2005 o Plano Regional Anual aprovou para a Ilha Graciosa uma verba de 1.520.000€, tendo sido executado 135.926€, ou seja, uma taxa de execução de apenas 8,9%, mas no ano seguinte, 2006, temos uma verba aprovada de 5.112.500€, executados 305.459€, com uma taxa de execução muito inferior, que é de 5,9%.
Aqui não posso deixar de perguntar:
- Onde está a política de apoio e dinamização do sector económico?
-É esta coesão que vai resolver o problema do emprego aos jovens?
Por outro lado, aquando da visita do Governo Regional dos Açores, foram criadas expectativas bastante ambiciosas, as quais não vemos espelhadas no Plano e Orçamento para 2008, por falta de cobertura orçamental. Cito alguns exemplos:
- “Autorizar a abertura do concurso público para a realização da empreitada de infra-estruturas do loteamento da Fonte do Mato (II fase), no valor de € 100.000,00, destinado à construção de 19 moradias.”
- “Apoiar o processo de transformação da Adega Cooperativa da Graciosa em Organização de Produtores com carácter polivalente, bem como a modernização dos seus processos de vinificação.”
- “Desencadear os procedimentos necessário a uma intervenção de melhoria do Caminho Rural da “Canada do Sul” (Luz - Santa Cruz), através da realização de uma empreitada de obras públicas para execução do respectivo piso em betão betuminoso e construção da rede de drenagem.”
- “Desencadear o processo de ordenamento e requalificação do “Parque Florestal da Caldeira”, melhorando as suas infra-estruturas e dotando-o de um centro de divulgação florestal, sinalética e de um percurso pedonal no sentido de permitir um melhor usufruto das suas potencialidades paisagísticas, turísticas e ambientais.”
- “Autorizar a abertura do concurso público para a adjudicação da empreitada de construção do centro de Apoio aos visitantes da Furna do Enxofre, com o preço base de €356.470,00, e com o prazo de execução de oito meses.”
- “Instruir a Lotaçor, S.A. para desenvolver, na área do porto de pescas da Praia, os projectos de 32 casas de apresto, de uma nova lota e de um edifício de apoio ao funcionamento da Associação de Pescadores da Ilha Graciosa, de forma a ficarem devidamente enquadrados na zona envolvente.”
Um dos aspectos importantes na Graciosa é a falta de lençóis de água, e mais uma vez o Governo Regional demonstra intenção apenas em palavras, no entanto, o Plano continua sem nenhuma verba para fazer face a tais intenções.
No que diz respeito aos caminhos agrícolas, a verba proposta é de 56.400 mil euros, quando o comunicado do Governo da última visita à Graciosa apresenta uma verba de 70 mil euros para o caminho da serrinha e uma verba de 190 mil euros para os caminhos florestais da Furna do Enxofre e o de acesso ao parque florestal da caldeira, não contemplando sequer o caminho dos vales, impenetrável a máquinas agrícolas.
E para terminar, o que falta agora ao Governo para asfaltar o Caminho das Courelas?
Estes são alguns aspectos, para não estarmos satisfeitos, o aumento anunciado de verbas, não esta de acordo com a campanha que querem fazer. Anunciaram as obras em Julho, em Novembro já não existe verbas para elas.

Graciosa 21 de Novembro de 2007

Luís Henrique Silva

19 novembro 2007

Um político sem soluções, um regresso esperado, uma ilha adiada.

No próximo ano de 2008 a operação marítima de passageiros e viaturas não contará com os novos barcos encomendados pela região aos estaleiros navais de Viana do Castelo.

Apesar desse ter sido um compromisso sobejamente assumido e com garantias que foram até ao chefe do executivo, ainda não será desta que os Açores terão ao seu serviço barcos de qualidade e programados para operar nos nossos portos (assim deveriam ser).


Nesta novelesca série dramática a roçar uma tragico-comédia, cujo argumento inclui um Secretário da Economia que está em cena vai para mais de 11 anos, sobressai um navio de idade adulta, cuja vida de trabalho já pedia reforma, mas que, sabe-se lá se fruto da alteração da lei sobre a idade para o merecido descanso, volta a ser a alternativa dele próprio, o novo rosto do mesmo, a repetição de uma agonia.


Esse Navio, o "Ilha Azul", foi já anunciado como voltando a ser o barco para os Graciosenses. A acompanha-lo neste melodrama trapalhão encontra-se um tal de "Santorini", que por razões sobejamente conhecidas nunca veio à Graciosa, não virá para o ano de 2008, mas será presença nos mares dos Açores, atracando em portos que dão preciosos votos ao Governo do actor principal (assim ele espera), também autor desta trapalhada governativa.


Qualquer entendido, semi-entendido, ou simplesmente curioso dessa actividade complexa que é a construção naval, com excepção dos senhores que des-governam esta Região insular, já teve oportunidade de afirmar com todas as letras que os novos barcos não estariam prontos para a operação de 2008.


Veio agora, e finalmente, o tal Secretário da Economia admitir que assim será. E com total desplante de quem se acha soberana inteligência e esperteza esmerada, confessou que a contratação dos anteriores navios já estava programada no contrato inicial. Ou seja, em 2006 o Governo já previa que o "Ilha Azul" e o "Santorini" viessem a ser usados em 2008.


Fica pois, mais uma vez, a Graciosa, em princípio, a ser servida apenas por um navio. E nenhum mal viria se esse navio não estivesse já na terceira idade e não tivesse de cobrir todas as ilhas dos Açores.


E esta expressão: "em princípio", tem somente a ver com o facto de estarmos em ano de final de mandato, que é como quem diz, em ano de eleições, e poder haver alguma prendinha eleitoral. Tão ao jeito desta governação de retoques, de facilitismos, e de encenações repetitivas.



João Costa

Texto da Homenagem a Joaquim Costa.


Falar do Joaquim Costa é abrir uma janela e ver entrar um enorme arco iris.
É sentir uma realidade colorida, com muitos tons que não se podem palpar. É uma fantasia. E no entanto olha-se com encantamento.

A pessoa de quem falo viveu connosco aqui na Graciosa mais de 40 anos, cruzou-se muitas vezes nos nossos caminhos, foi companheiro, amigo sincero, foi feliz, teve amores e paixões, sofreu desilusões e dores. Teve afectos à sua volta e cultivou-os como soube. Porventura, como todo o ser humano e como nós todos, que temos virtudes e defeitos, e fragilidades várias, ele as tinha em número e tamanho, que não se pode avaliar.
Muito menos a mim o cabe fazer e ajuizar a sua vida, e os seus comportamentos.
Não podia, nem tenho isenção para o fazer. No entanto, propuseram-me que eu fizesse um depoimento sobre uma imagem que dele fizesse e a tornasse pública.
E faço-o com gosto e emoção, porque falar do Joaquim Costa é necessariamente abrir uma porta que fisicamente se fechou, porque já se cumpriu. Mas portas destas atravessam o nosso imaginário e em sonhos muitas vezes as abrimos, e é nosso, muito nosso o que lá vemos dentro.

Vou abrir uma dessas portas, aquela mesma que muitas vezes abriu o nosso Joaquim de que hoje aqui se faz lembrança. Abrir essa porta é entrar na intimidade da casa da minha avó Cidália, e entrar nela é sentir o estalar da lenha no forno, o cheiro da erva- doce que cobria a massa sovada, o perfume dos junquilhos do altar do Menino Jesus, é ouvir o miar dos gatos que saltam das cadeiras da cozinha, é escutar o canto do periquito e do canário da terra, de penas azuis e verdes. Sempre imaginei que na gaiola eram felizes aqueles pássaros, e o Joaquim afinava muito o assobio com eles, que lhe respondiam no tom certo e com vivaz alegria.
Havia ainda o som do rádio, da grafonola, um cantarolar constante e tudo eram sons dentro da casa de minha avó!

Era escrupuloso e muito limpo o Joaquim. Limpava, varria, varria, lavava e nunca descuidava a sua figura aprumada. Barba feita com navalha, cabelo amarrado em brilhantina, o Joaquim tinha um porte de galã, um sorriso rasgado, uma graça, e sempre um olhar atento a tudo que o rodeava, que registava sem outros recursos.
Porque o Joaquim não podia usar do lápis para tomar as suas notas. Não tinha óculos para poder ler, desculpava-se ele, para evitar o desgosto que tinha de não ter aprendido as letras.

Meu nome é Joaquim Costa, apregoava ele, quando se anunciava a cantar. Que foi com a voz que ele se distinguiu, uma voz clara e potente, aquele que também se dava por, Joaquim dos Fados.
Uma das suas grandes paixões era cantar e muitas letras arquivou ele na sua memória, outras tantas criou, fruto das suas reflexões ou dos improvisos.
De seu nome Joaquim Machado da Costa, nasceu na freguesia das Fontinhas na Praia da Vitória, ia o mês de Fevereiro alto, no ano em que estalou a primeira guerra mundial. A 20 de Fevereiro de 1914, tinham à data do seu nascimento, os pais, 49 e 45 anos, e pode imaginar-se que o regaço da mãe já teria suportado o peso de outras maternidades e mesmo netos. Era uma família grande, ele contava, que depois se mudou para Angra, e como descobriu os seus dotes de cantor, nem eu sei.
Sei que ele veio cantar à Graciosa entre 1943 ou 1944, com os cantadores “estrelas” do momento da Terceira. A Trulu e o Gaitada eram os artistas que abrilhantavam todas as festas de ocasião.
E ele cantou e encantou.
O Joaquim ficou cá com o seu violão, casou-se com minha avó e os dois cumpriram a vida entre fantasias, completando-se ou trilhando as rotas que puderam fazer.

Os tempos não eram propícios ao culto das artes e da música. E esta ilha não teve tamanho nem dimensão para abrigar o virtuosismo da voz que coube no peito do Joaquim. Ele foi sempre uma figura popular, mas extravagante, invulgar, com uma energia e gosto a que se dava baixo valor.
Apesar disso fez muito à escala da época. Participou em diversas festividades, foi cantar às comunidades da diáspora americana, gravou diversas fitas e bobines, perdidas entre o Rádio Clube de Angra ou na mão de privados.
3 discos de vinil foram a sua coroa de glória.

Mas tinha outras ambições o Joaquim Costa e nessa medida ele teve o seu toque de tragédia pessoal, pois sei que nunca se realizou e que se deixou vencer por uma esclerose que lhe abafou o sentido que mais gostava, o ouvido. Caiu-lhe um pano de tristeza no fim da vida e partiu gasto, amargurado e vencido, com 72 anos de idade, vão 21 anos decorridos.

Era educado, um homem simples e são, o Joaquim, e como ele e minha Avó apreciariam ver e estar neste convívio, frequentar esta sala e ouvir as interpretações que outros fazem das palavras e das melodias, que ele tanto amou!

Minha mãe, meus irmãos e eu, ficamos muito reconhecidos para o querido Francisco, que imaginou e construiu este espectáculo, que esperamos seja do agrado de todos, porque eu sei que é o dele.
O nosso sincero agradecimento vai também para os amigos Gaspar, e Valdemiro, que ao longo dos anos têm mantido vivas as nossas tradições, e aos demais que tornam possível este encontro, que se faz no palco e que se dirige ao público que somos nós, fica o nosso apreço a todos.

Talvez nem me fique muito bem partilhar, mas ouso fazê-lo acentuando, a pretexto da generosidade de construir esta lembrança ao Joaquim Costa, que teve o Francisco Lobão.
O Chico perseguiu o sonho dele, que foi e é o de ser CANTOR. Tem o mérito e a sorte de o ter concretizado e de chegar a onde está, na mais prestigiada instituição portuguesa do canto lírico, que é o Teatro Nacional de S. Carlos.
Nessa medida o Chico é um exemplo de vida e a prova de que não há obstáculos impossíveis de vencer.
É um orgulho para nós e obrigada por isso. Parabéns.

Vale a pena ser feliz!


Graciosa, 18 de Novembro de 2007
Maria das Mercês da Cunha Albuquerque Coelho